segunda-feira, 2 de junho de 2008




As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graçae com amor não se paga.

Amor é dado de graça,é semeado no vento,na cachoeira, no elipse.

Amor foge a dicionáriose a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amobastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,e da morte vencedor,por mais que o matem (e matam)a cada instante de amor.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.

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